Arquivo de outubro \29\UTC 2009

Propaganda se sobrar verba

Existem empresas que deram certo. Existem empresas que estão tentando dar certo. E existem também as que já desistiram. Todas elas fizeram escolhas, todas elas tiveram que em algum momento decidir se a verba “x” iria para pesquisa, inovação, estrutura, comunicação. Nenhuma tem maquina de dinheiro, nenhuma consegue fazer tudo que deseja.

Afinal, se não fosse assim, tudo seria muito fácil né? Onde entraria a competência dos diretores e suas sábias decisões? São elas que garantem bons salários a uns e o fim da carreira de outros. Não adianta, empresas precisam de foco, administradores têm que fazer escolhas. Cada uma num contexto, cada qual com seus objetivos. Todas visando o lucro.

E é triste admitir, mas muitas vezes essas escolhas não envolvem propaganda. E o pior ainda (para nós), muitas vezes elas estão certíssimas.

Ou por acaso alguém já viu um comercial da Biogen Idec? (empresa farmacêutica com 27 escritórios pelo mundo que fatura meros 2,7 bilhões/ano). E da Odebrecht?

“Ah, mas a propaganda de remédio é complicada, né? E a construção civil envolve licitação governamental! Não podemos ficar comparando assim.”

Ok!

Mas e a Acer que sustenta o segundo lugar de vendas de notebooks com quase 16% do mercado sem um único print institucional? E a Braskem que lota o mundo plástico? E, e…  e o hambúrguer Grâ Filé que fez sua primeira propaganda depois de 40 anos?

Thot .

Não me chame de idiota, por favor

CEREBRO

“Tenha em mente que o consumidor não é idiota. Ele é sua mulher. Não insulte a sua inteligência”, David Ogilvy. A frase do tio Ogilvy pode ser aplicada a diversas coisas na nossa profissão, mas essa em especial, eu sempre tive na minha cabeça, talvez por acreditar que seja um mal comum aos publicitários (eu, inclusive): menosprezar a capacidade dos consumidores, as “pessoas comuns”. De um jeitinho arrogante como se nós fossemos “pessoas especiais”.

Feito a devida crítica, lembrei da frase ao ver a campanha “Bonificados” da Motorola em Porto Alegre. Uma campanha voltada ao trade, que queria incentivar os vendedores a indicar e falar bem dos aparelhos Motorola para o consumidor final.

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A mecânica era bacana e super simples, o pessoal da Motorola iria (disfarçado) visitar as lojas, se o vendedor indicasse Motorola ganhava um prêmio, se indicasse Motorola e também mostrasse uma função do aparelho seu prêmio aumentava, se indicasse 2 ou 3 funções o prêmio crescia ainda mais. Legal, legal, palmas pra Motorola.

Agora pergunta qual era esse prêmio. Simples, se indicar Motorola ganha um vale refeição (VR/Sodexo) no valor de R$ 35, não é genial? E o prêmio ainda pode “melhorar”, mostrando uma função do aparelho ganha mais R$5 de benefício, se mostrar 2 funções são mais 2 acréscimos de R$5, e assim sucessivamente.

Seria genial, mesmo. Seria genial se os vendedores estivessem passando fome, ou se o fato de comer num restaurante fosse o maior frisson do “pessoalzinho da firma”. Mas não é. E a Motorola sabe disso. Dar um prato de comida, literalmente, como prêmio é chamar essas pessoas de idiotas. Motorola, me desculpe, mas não me chame de idiota, por favor.

Prieto .

Filme pirata? Boa sorte.

Gosto de Tarantino e simpatizo com a pirataria virtual (e quem não?), logo, ao saber que seu novo filme já estava pronto para ser lançando me aventurei pelos torrents da vida sem grande esperança. O filme só havia sido exibido em alguns festivais e em sessões exclusivas, mas quem sabe, já teria vazado. Resultado: Nada além de arquivos fakes. Ok, estava esperando demais desse mundo ilegal.

Semanas passaram, o filme estreiou na gringa e eu voltei a me aventurar, agora com muito mais esperança. Resultado: Depois de alguns fakes, consegui um arquivo que, inexplicavelmente, algumas pessoas tem a pachorra de chamar de filme. Coisinha sem vergonha, daqueles gravados dentro de um cinema, com um nojo de som e imagem, que não prestaria para assistir nem em uma TV de 8 polegadas.

Conseqüência disso tudo? Esperei mais uns dias, fui ao cinema, paguei 7 reais e assisti de boca aberta um filmaço.

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Eu queria ser desonesto, queria assistir em primeira mão, queria, queria, queria. Mas não adianta, acabei sendo um bom moço. Fiquei ansioso, não aguentei esperar. Culpa da organização e da competência do estúdio que impediu que um safadão qualquer tivesse acesso ao material de mãos beijadas e colocasse na web.

Não que o filme não vá poder ser baixado nunca. Muito pelo contrário, quem esperar um pouco  na certa vai achar o filme com qualidade absurda facilmente. Mas na real, azar deles. A bilheteria já vai ter sido satisfatória. Uma prova que isso ainda é possível.

Agora, isso aqui, só organização não resolve.  :/

Thot.

Marcas além de marcas – Parte 7

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[Parte 1: Introdução     |     Parte 2: Mitsubishi     |     Parte 3: Banco Real     |     Parte 4: Dove    |    Parte 5: Omo    |    Parte 6: Google]

As reflexões de territórios no “Marcas além de marcas” tentou trazer exemplos um pouco mais condizentes com nossa realidade tupiniquim (apesar das marcas gringas), fugindo um pouco dos clássicos exemplos Harley-Davidson, Apple e tantos outros que todo publicitário já decorou.

Indo direto ao ponto, além de trazer afinidade com o target e dar uma personalidade (o que já foi dito e repetido por aqui), a construção de territórios levam as marcas para além da comunicação (apesar de depender também dela).

Mas além disso, o território de uma marca permite uma blindagem, por exemplo, contra a ação da concorrência dentro da mesma temática (eles precisarão explorar outro campo para não serem taxados de cópias), também funciona como  diferenciador, na forma de se manter consistente na sua comunicação, ou como ser relevante dizendo a mensagem certa à ouvidos selecionados.

Por fim, a construção de territórios (e principalmente a comunicação de forma geral) não é uma discussão exata e, por isso, não finda aqui. Aliás, os três pilares de um território (personalidade da marca, afinidade com o target e pontos de contato) não são uma regra, longe disso, é apenas um dos caminhos (e nomenclaturas) para se atingir valor e relevância de marca. Mas isso é papo pra depois.

Prieto .

Hakuna Matata

Ídolos são “figurinha carimbada” em toda e qualquer cultura.

Sejam eles glorificados na forma de anjos, seguidos na forma de celebridades ou mesmo esculpidos em carrancas, toda sociedade/”tribo” tem a necessidade de idolatrar alguém ou alguma coisa.

Há quem compre cabelo de defunto. Há quem acompanhe romances televisivos. Há quem morra em nome da idolatria.

E há quem… bem… faça vídeos…

Diego.

Marcas além de marcas – Parte 6

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[Parte 1: Introdução     |     Parte 2: Mitsubishi     |     Parte 3: Banco Real     |     Parte 4: Dove    |    Parte 5: Omo]

Este, que é o último post da série a tratar de uma marca específica (chega de exemplos, né?), mostra a marca que eu, particularmente, admiro muito (tenho uma camiseta deles, inclusive).

Apesar de ter menos que 15 anos, hoje, o Google é a marca mais valiosa do mundo e símbolo de modernidade, inovação e tecnologia. Quem nunca ouviu o velho papinho moderno da web 2.0? A conjuntura vigente foi alterada, as pessoas mudaram, o mundo todo teve que mudar. O Google, além de ser fruto dessa mudança, ajudou a impulsioná-la criando relevância e voz ao usuário.

Marca: Google   |  Território: Inovação

O Google não é apenas o portal global de buscas na internet, hoje ele é uma plataforma de convergência de diversas ferramentas (hoje tinha mais de 50, só na página inicial). A inovação do Google se dá a medida que novas ferramentas são disponibilizadas na rede numa velocidade impressionante e com funcionalidades antes inimagináveis. Aliás, quem avalia e valida cada uma das ferramentas é o próprio usuário.

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O ponto alto da marca é saber que seus pontos de contato podem ser em quaisquer lugares possíveis, mas até ai, o Yahoo também podia. “Já que estar em todos os lugares não é diferencial, é premissa, estaremos lá sempre com algo novo.” E foi isso que o Google fez, se debruçou em inovações e conseguiu trazer o primeiro email de 1Gb (um frisson pra época), trouxe o serviço de mapas, a agenda, e aquelas coisas que todo mundo aprendeu a amar.

Semana passada foi lançado o Google Wave (ainda que para apenas 100 mil usuários sorteados), é a mais nova ferramenta do momento e aquela que pretende substituir o serviço de email, além de aglutinar redes sociais e mensagens instantâneas. Ambição não falta e ninguém duvida, “Google Wave quer dominar o mundo”, diz a imprensa.

Agora, no contexto de afinidade com o target, descobri recentemente o “Google Ad Planner” e o “Google Alerta”, ferramentas que produzem, respectivamente, planos de mídia para campanhas online e clipping de notícias e marcas. Eu, como estudante e profissional de comunicação achei sensacional, tanto que nem vou citar aqui os já famosos “Google Trends”, “Analytics”, “AdWords” e tantos outros para o meio publicitário.

É a cauda longa sendo bem aplicadinha. A marca soube como poucas pulverizar seus serviços em mil e uma ferramentas, todas dentro da personalidade inovadora da marca, conseguindo assim atender a mil e um perfis e carências das pessoas. E sempre, sempre, trazendo novidades.

Prieto .

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