Arquivo de maio \26\UTC 2010

Emocional x Racional, isso já passou, não?

Pensei que esse assunto era algo meio batido, mas percebo que não. Assim como outros temas que desacredito que ainda são discutidos. Eu já estava para escrever esse texto, estava inspirado por um curso de filosofia que fiz, mas hoje li um post no blog incommetrics que me deu a inspiração que faltava.

O post que eu li foi sobre a palestra que o Tim Broadbent, “Global Effectiveness Director” da Ogilvy deu no Brasil. Pelo que li, a palestra não teve nada de inovador, mas no fim ficou algo que propagandas emocionais funcionam melhor que as racionais, ou seja, o retorno de investimento é maior em propagandas emocionais. Juro que pensei que isso era passado.

Agora vocês devem estar se perguntando, como que meu curso de filosofia está nessa história toda? Uma das coisas mais proveitosas foi uma discussão sobre a evolução do pensamento humano, o pensamento moderno contra o contemporâneo. A professora explicou o desencantamento do mundo, teoria de Webber, que nada mais era que a valorização da razão e das ciências. Tudo no mundo passou a ser explicado através do uso da razão, uma clara separação entre razão e emoção. Claro, que esse desencantamento tem origem com o afastamento da religião.

Hoje, que temos um pensamento contemporâneo, deixamos de valorizar somente a razão, sabemos como os sentidos e emoções são importantes na vida humana. Os seres humanos não funcionam só com razão, nem o mais racional deles toma todas suas decisões de forma racional. E tenho absoluta convicção que não estou sendo piegas. Querem ver um exemplo disso vejam essa palestra da cientista Jill Bolte no TED, todo mundo explica de forma racional o que é um derrame, ela explica a experiência de ter um derrame. O quão mais rica são suas percepções e aprendizados quando mais do que somente racionalizar, você consegue sentir. São 15 minutos inpiradores para qualquer planejador, quero dizer para qualquer ser humano.

Se já sabemos disso, precisa alguém vir de fora pra falar que propagandas emocionais funcionam mais que as racionais? E eu sei que esse assunto de pensamento contemporâneo e moderno não é tão exclusivo assim.

Esse ponto, e essas reflexões que tive me deixam mais convicto no que acredito, que é na criação de experiências para as pessoas. Uma marca ou um produto não têm que contar histórias e sim de arrumar um jeito de estarem na história de cada pessoa de maneira relevante. Assim ela estará mais do que na forma racional, ela estará na vida, onde emoções e sentimentos estão a flor da pele. Sem contar quando colocamos 6 seres humanos dentro de uma sala para “racionalizarem” sobre um anuncio de página dupla.

Só uma provocação dos meus parafusos.

Rodolfo.



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