A Sindrome do “Sim”

O assunto de hoje é macro. É sobre um mal que afeta toda a humanidade.

Nada de reflexões sobre o cliente, nem sobre a conturbada relação do planejamento com a criação. Vou falar de uma doença. Uma doença causada sabe-se lá pelo que, mas, além de trazer muitos problemas para o mundo, é também a principal responsável pela maioria das propagandas bunda mole que vemos por ai.

Suas primeiras vítimas foram, há muito tempo atrás, os pobres cachorrinhos que enfeitavam o painel de muitos carros. Você sabe quais são. Só que provavelmente nunca os viu saudáveis. São aqueles com o pescoço articulado que ficam te olhando enquanto você dirige, sempre fazendo um sinal de “sim” com a cabeça. Lembrou?

Uma doença altamente contagiosa, que afetou muitas pessoas e, embora eu não tenha números para provar, já se mostra presente em grande parte do mundo coorporativo.

Uma doença com sintoma único. Uma incontrolável contração dos músculos do pescoço que faz a cabeça das pessoas balançarem verticalmente, num constante e eterno sinal de “sim”. Felizmente, não mata, mas também não tem cura.

Cuidado. Ela pode estar naquele atendimento que só diz amém ao cliente. Naquele moleque da criação que sempre concorda com o seu diretor cinquentão. E até naquele planner que idolatra relatórios de tendências aí do seu lado.

Thot .

[Post originalente publicado no CHMKT, em 02/07/2010 ]

Será que pega?

O Brasil é curioso. Além de todas as diferenças que estamos cansados de saber, o Brasil também é curioso pelo caráter dos brasileiros.

Lei é lei, mas não aqui. Aqui lei só é lei mesmo, se pegar. Por exemplo, é lei não poder colocar sacos de lixo na rua duas horas antes do lixeiro passar. Poxa, mas essa não pegou, quem sabe foi para o para o surdino mundo das leis esquecidas.

É lei também não poder comprar votos, não fazer boca de urna, não deixar caçambas  de lixo nas calçadas por mais de 9 dias, não deixar os resíduos dos cachorrinhos nas ruas. Enfim, mas não é porque é lei que vou respeitar né?

E quando algumas pegam e nós temos que obedecer, vem os nossos queridos políticos e aliviam essa agonia sofrida que todo brasileiro sabe bem como é. Saca só.

Thot.

O fardo de ser foda

Esse é o gráfico da AAPL, nome das ações da Apple na NASDAQ, na semana em que Steve Jobs anunciou o iPad. O que ele tem de interessante? Ele mostra que ações da Apple desvalorizaram quase 5% em uma semana de lançamento de produto!

Além disso, com um zoom no dia 26/01 (véspera do grande dia), vemos a expectativa refletir diretamente na valorização, ou seja, o sentimento de “uhu! é amanhã que a Apple lança outro iPod, revoluciona o mercado e eu ganho dinheiro com isso” tomou conta e a especulação levou a uma valorização de mais de 5%.

Contudo, o dia chegou, o Steve Jobs deu show com sua “prancheta digital” (durante a apresentação as ações alcançaram picos de 2,1% no gráfico diário), mas o iPad decepcionou muitos, seja por não ser multitasking, por não apresentar USB ou só por parecer um iphonão que não liga. Conclusão disso? Quem vendeu rápido se deu bem, mas quem acreditou que o produto iria refletir toda a imagem da marca e superar expectativas, danou-se (as ações nos dias seguintes despencaram mais de 8%).

Mesmo não sendo um produto ruim, o iPad não condiz com a imagem da Apple. Quando todos só esperam coisas incríveis de uma determinada marca, fazer o normal passa a não ser suficiente. Aposto que se o iPad fosse da Dell esses números seriam bem diferentes.

Obs: Existem outras mil variáveis que influenciam esses gráficos, não garanto que as contas estão certas e eu se fosse você não levaria nada disso a sério.

Thot.

Aula é na feira

Lendo o post abaixo, me permiti escrever algumas linhas sobre esse já saturado tema:

Ninguém ousa defender os acéfalos, mas todos assumem também um pé atrás com a donzela. Justo, não conhecemos a moça, mas nada justificaria essa atitude ou a hipocrisia não me permitiria dizer outra coisa.

Sugestões para o problema também surgiram as mil. Expulsa ela, não expulsa. Pune eles, não pune. Fecha tudo, não fecha.  Mas, pra mim, o que essa Uni precisa mesmo é de uma varredura docente. Troca-se todos os professores por feirantes e pedreiros.

Antes de tentar ensinar esses digníssimos jovens  a pensar, eles precisam ter aulas de como tratar uma mulher. E ninguém melhor que esses profissionais para isso, verdadeiros sábios da admiração feminina.

Não tem frescura, nenhuma mulher precisa  ser linda, basta ser mulher. Só de passarem já merecem uma olhada mais “detalhada”, um desabafo com o companheiro do lado, ou, para os mais saidinhos, um “e lá em casa!”‘.

É um pouco disso que esses futuros universitários estão precisando.

Voltamos agora a nossa programação normal.

Thot.

Propaganda se sobrar verba

Existem empresas que deram certo. Existem empresas que estão tentando dar certo. E existem também as que já desistiram. Todas elas fizeram escolhas, todas elas tiveram que em algum momento decidir se a verba “x” iria para pesquisa, inovação, estrutura, comunicação. Nenhuma tem maquina de dinheiro, nenhuma consegue fazer tudo que deseja.

Afinal, se não fosse assim, tudo seria muito fácil né? Onde entraria a competência dos diretores e suas sábias decisões? São elas que garantem bons salários a uns e o fim da carreira de outros. Não adianta, empresas precisam de foco, administradores têm que fazer escolhas. Cada uma num contexto, cada qual com seus objetivos. Todas visando o lucro.

E é triste admitir, mas muitas vezes essas escolhas não envolvem propaganda. E o pior ainda (para nós), muitas vezes elas estão certíssimas.

Ou por acaso alguém já viu um comercial da Biogen Idec? (empresa farmacêutica com 27 escritórios pelo mundo que fatura meros 2,7 bilhões/ano). E da Odebrecht?

“Ah, mas a propaganda de remédio é complicada, né? E a construção civil envolve licitação governamental! Não podemos ficar comparando assim.”

Ok!

Mas e a Acer que sustenta o segundo lugar de vendas de notebooks com quase 16% do mercado sem um único print institucional? E a Braskem que lota o mundo plástico? E, e…  e o hambúrguer Grâ Filé que fez sua primeira propaganda depois de 40 anos?

Thot .

Filme pirata? Boa sorte.

Gosto de Tarantino e simpatizo com a pirataria virtual (e quem não?), logo, ao saber que seu novo filme já estava pronto para ser lançando me aventurei pelos torrents da vida sem grande esperança. O filme só havia sido exibido em alguns festivais e em sessões exclusivas, mas quem sabe, já teria vazado. Resultado: Nada além de arquivos fakes. Ok, estava esperando demais desse mundo ilegal.

Semanas passaram, o filme estreiou na gringa e eu voltei a me aventurar, agora com muito mais esperança. Resultado: Depois de alguns fakes, consegui um arquivo que, inexplicavelmente, algumas pessoas tem a pachorra de chamar de filme. Coisinha sem vergonha, daqueles gravados dentro de um cinema, com um nojo de som e imagem, que não prestaria para assistir nem em uma TV de 8 polegadas.

Conseqüência disso tudo? Esperei mais uns dias, fui ao cinema, paguei 7 reais e assisti de boca aberta um filmaço.

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Eu queria ser desonesto, queria assistir em primeira mão, queria, queria, queria. Mas não adianta, acabei sendo um bom moço. Fiquei ansioso, não aguentei esperar. Culpa da organização e da competência do estúdio que impediu que um safadão qualquer tivesse acesso ao material de mãos beijadas e colocasse na web.

Não que o filme não vá poder ser baixado nunca. Muito pelo contrário, quem esperar um pouco  na certa vai achar o filme com qualidade absurda facilmente. Mas na real, azar deles. A bilheteria já vai ter sido satisfatória. Uma prova que isso ainda é possível.

Agora, isso aqui, só organização não resolve.  :/

Thot.

O simples mundo do cool

Não quero entrar no mérito de tudo que marcas como Diesel e Skittles já fizeram para chegarem onde estão. Sei que não é fácil, sei que arriscaram, inovaram e tudo mais. Agora, cá entre nós, hoje em dia ficou fácil né?

E sem por palavras em meus dedos, não estou falando mal delas. Acontece que essas duas marcas, e talvez existam outras que não me vem a cabeça agora, falam o que querem do jeito que bem entenderem e tudo esta sempre ótimo.

Diesel põe mulher em banheira de cabelo e ok. Depois vem com viraldesenhopornô e sussa. Coloca um bizarro caso do homem que nasceu sem corpo e bacana. É uma marca curiosa e extrema em todos os sentidos, que se encontra em uma posição onde já é muito difícil errar. A formulinha bizarro e audacioso é tudo que criativos sonham para as marcas que trabalham, e para elas, nunca faltarão boas idéias.

Skittles é outra. Vem com esse papo de “Taste the Rainbow”, seja lá o que isso queira dizer. Faz viralzinho estranho aqui, propaganda engraçada aqui e acolá e tudo ótimo. E põe ótimo nisso, conseguem entreter e viram assunto.

Agora, entre nós de novo, não existe espaço para muitas marcas adotarem posturas semelhantes. Ser assunto pela estranheza é limitado. Sorte de quem já consegue isso. As outras que se matem para achar caminhos não trilhados no óbvio.

Thot.

Who cares?

O Carrefour mudou sua identidade visual. Suavizou uma curvinha ali, afinou a tipologia ali. A massiva rede de supermercados conta hoje com mais de quinze mil lojas. Quinze mil lojas que terão que se adaptar ao novo padrão, um investimento bem considerável com divulgação, novas fachadas, embalagens, etc.

Junto com isso lançou também um novo posicionamento. Pra variar um pouco, entrou no desgastado território do otimismo com a assinatura “Positive is back”. E olha que a crise já não é mais assunto como antes.

Designers com certeza comentarão o novo logo, publicitários também falarão sobre o posicionamento. Pessoas? Ah, pessoas comprarão o quilo de feijão onde for mais barato.

Veja a mudança na logomarca abaixo e os filmes aqui:

carrefournew

Thot.

O mal gosto não é só nosso.

Essa campanha criada pela agência alemã “das comitee” para uma organização de conscientização sobre Aids chamada Regenbogen e.V mostra como a insensatez não é exclusividade da propaganda brasileira.

- Seria agora qualquer soropositivo um assassino? Pois é assim que eles são retratados na campanha.

- Seria o holocausto e todas as demais barbaridades envolvidas com esses personagens fatos menos delicados do que os atentados de 11/9? Pela repercussão, é o que me parece.

- Seria o criativo boçal por trás disso menos infeliz que “a pior pessoa do mundo” da última terça-feira? Veja bem, não vi ninguém dessa agência alemã sendo humilhado em rede nacional.

Enfim, que os atentados de 9/11 é um assunto delicado e deve ser respeitado não tenho dúvidas. Agora tratar portadores do vírus HIV como serial killers é, no mínimo, tão cretino quanto.

A campanha da DDB Brasil que estou me referindo você encontra aqui.

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“Participe! Você pode ganhar um…. curso profissionalizante (?!)”

Tudo bem que também existe a possibilidade de ganhar as previsíveis “centenas de computadores” e blá, blá blá, mas essa nova promoção da Fischer para a Coca-Cola chama atenção.

Oferecer cursos profissionalizantes como prêmio máximo de uma promoção focada nas mães mostra que existiu uma preocupação com os reais anseios do target. O que, infelizmente, ainda não vemos tanto assim por ai.

Sabe aquela velha historia de fazer com que pessoas gastem seu tempo com nossas marcas? Então. Simples na teoria e, nesse caso, também na prática.

A Coca fez o básico, mas fez certinho.

Thot.

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