Saudoso mundo novo

O saudosismo, “a nível de” sentimento, é uma coisa que praticamente todas as pessoas sentem (com exceção, é claro, dos amnésicos).

Todo mundo tem alguma lembrança, algum cheiro ou imagem que lembra sua infância, seus momentos felizes ou aquela experiência de vida única que ficará marcada para sempre na memória de uma pessoa.

A publicidade, por vezes, se utiliza de artimanhas ligadas ao saudosismo para conquistar, recuperar ou mesmo agradar aqueles consumidores que em algum momento de suas vidas tiveram alguma experiência que seja relacionada ao produto oferecido. Algumas vezes também ocorre um movimento contrário, em que as propagandas acabam marcando época e causando um sentimento de comoção geral na população que vivenciou a veiculação de determinada mensagem (seja no clássico comercial do sutiã ou naquele da pipoca com guaraná).

Porém, o saudosismo não é unânime. Cada geração tem sua história, cada pessoa tem seus heróis e vilões e cada um tem seu tempo. E é exatamente esse referencial “tempo” que vem sofrendo alterações conforme as horas passam.

Se na década de oitenta um objeto se tornava obsoleto a cada nove, dez anos, hoje a cada nove ou dez meses (às vezes até menos) uma nova tecnologia pode ser ultrapassada e entrar para o grupo das saudosas (ou não tão saudosas) lembranças. Quem não concorda que me diga: há quanto tempo o Chrome existe e quantas versões já foram disponibilizadas pra download?

E o 3D, você acha uma tecnologia nova? Quem não lembra daqueles óculos muito firmezas que vinham com livros de dinossauros? Aquilo era 3D? A tecnologia evoluiu?

Sem finais do tipo “o futuro é agora!” ou “a evolução chegou”, hoje vive-se numa época de tempo escasso, porém de revoluções tecnológicas diárias que permitem um maior aproveitamento de cada segundo do dia. Nesse ambiente, os saudosismos serão cada vez mais precoces e as lembranças, superficiais. Quem conseguir causar o maior impacto no menor período de tempo pode se dar bem.

Para ilustrar, o vídeo que inspirou o texto:
(notem que o Photoshop utilizado como referência é o CS3, lançado em 2007 e já ultrapassado pelo CS4. Para os saudosistas, ele é do tempo em que não dava pra fazer gradiente transparente sem a tal da opacity mask)

Adobe Photoshop Cook from Lait Noir on Vimeo.

Hakuna Matata

Ídolos são “figurinha carimbada” em toda e qualquer cultura.

Sejam eles glorificados na forma de anjos, seguidos na forma de celebridades ou mesmo esculpidos em carrancas, toda sociedade/”tribo” tem a necessidade de idolatrar alguém ou alguma coisa.

Há quem compre cabelo de defunto. Há quem acompanhe romances televisivos. Há quem morra em nome da idolatria.

E há quem… bem… faça vídeos…

Diego.

O plano secreto do Google

O plano secreto do google

Links patrocinados, Youtube, Orkut, Redes de conteúdo. Tudo isso em uma página só.

A imagem aí em cima foi a que eu acessei depois de clicar numa tag daquelas de gmail sabe? Em cima das mensagens e tal? Pois é, parece que o Google tem um plano secreto para garantir o sucesso de vendas no Dia das Crianças.

Quem acessar a página pode ver tudo explicado, desde os meios a serem usados até como bolar sua própria campanha online, além de poder clicar no botãozinho ali do lado e pedir seu “Plano Secreto”. Tem também uma história em quadrinhos, toda animada contando a história do Seu Calvino e sua incrível jornada pelo mundo da imersão internética.

Gostei da idéia. Um site simples, com uma história simples, mostrando o dia-a-dia de um dono de comércio local tentando se adequar às novidades do mercado. Uma coisa que percebi também foi a tentativa de aproximar o visitante do site da personagem desenvolvida, afinal são “tiozinhos” que não costumam utilizar esse tipo de estratégia online que são o público-alvo desse “Plano Secreto”, não?

Pois bem, aí chego no ponto. Ou pontos.

Se o “tiozinho” for o alvo, será que isso funciona? Se ele não acessa a internet nem pra ler notícias, será que ele vai ficar sabendo desse site e vai ter a disposição pra entrar na internet para ler uma “nova forma de tocar seu negócio”?

Mas e se ele não for? Quem é o alvo? Planejadores de online? Esses provavelmente já sabem como funcionam todas essas ferramentas.

Boa idéia, boa abordagem. Mas e o meio? Talvez fosse melhor imprimir as revistinhas e entregar de mão em mão…

Diego.

O fim da cerveja

Estava eu navegando pelos sites da web afora e eis que me deparo com a seguinte reportagem:
O aquecimento global pode acabar com certas variedades de cerveja.

Pois bem, até aí nada demais. Acabaram umas, ficam as outras. Mas o buraco é mais embaixo. Na verdade nem tão embaixo, mas foi esse texto que me fez refletir e entrar em uma cadeia de pensamentos que frequentemente me atinge (e que a maioria das pessoas acha bizarra): a teoria do ciclo vicioso.

Só para explicar, a teoria do ciclo vicioso (nome que inventei agora – e que provavelmente já existe com outro nome e já foi estudada por muita gente que até hoje infelizmente não conheço) se refere a um pensamento que leva a uma análise minusciosa e fria do ambiente sem levar em conta as variáveis nem o contexto. Portanto críticas mais duras sobre esse método podem efetivamente aparecer.

Num exemplo de raciocínio ciclo-vicioso, podemos lembrar daquela velha máxima: “Se bolacha de água e sal é só água e sal, então o oceano é um bolachão”.

Pois bem, voltemos agora às cervejas e o raciocínio que tive:
“Se o aquecimento global está acabando com alguns tipos de cerveja, logo o calor em excesso não é favorável para o produto. Pois bem, se considerarmos que no Brasil toda comunicação voltada para cerveja é baseada no super calor e no verão extremamente quente, podemos considerar que o principal argumento de hoje para vender cerveja no nosso país pode ser o mesmo que irá causar, a médio prazo, o fim do produto.”

Conclusão: bebam amigos, antes que acabe.

Diego.

Bancão Imobiliário

Lembra do Banco Imobiliário? De comprar a Paulista, a Rebouças e arredores e ir construindo sua megalópole?

Eu me lembro bem dessa época. Lembro inclusive que não fazia idéia do que eram as tais Paulista e Rebouças, porque em Santa Fé as ruas eram chamadas mesmo por números. Minha casa era na rua Dez.

Pois bem, o tempo passou, a tecnologia andou e eis que resolveram inventar um novo jogo. Ou pelo menos uma nova forma de jogar.

Imagine um Google. Imagine um Google maps. Agora imagine um Banco Imobiliário online utilizando as imagens do Google maps para te mostrar as ruas que você comprou, as casas que você construiu. Legal né?

Pois é isso que lançaram hoje, no site monopolycitystreets.com. Eu gostaria de poder falar mais, mas acho que os servidores tão bombando e eu não consigo acessar.

Se alguém conseguir, dá um grito aí!

O poder do Lítio

De acordo com uma pesquisa da comScore, a internet realmente vende. E mais do que a TV.
A pesquisa, (clique aqui para ver) divulgada em meados de agosto, mostra que uma mesma amostra da população, quando exposta à publicidade na web e na TV, acaba comprando mais os produtos divulgados via computador (e não é no clique, o pessoal compra nas lojas mesmo).

Pois bem, vamos lembrar que há algum tempo já se fala da nova classe média brasileira e tudo mais, que além de impulsionar a economia e todos aqueles milhões de indicadores econômicos também compram mais. E como já li por aí, o que se tem vendido de computador nos últimos tempos não é brincadeira não. E o time spent médio do internauta brasileiro tem subido em progressão geométrica.  Some tudo isso e perceba:

1. A web influencia a compra
2. A compra tem aumentado nos últimos tempos
3. A compra de computadores mais ainda
4. Com computador o cara tem internet
5. Com internet, o cara tem mais acesso às ofertas que realmente o influenciam a comprar
6. Influenciado, o cara vai comprar mais, e considerando que ele é de classe C (que está crescendo no país) e que essa pesquisa está certa, ele vai comprar mais computadores, e celulares, e coisas tecnológicas afins.

Conclusão: Ou popularizam logo uma bateria de ar ou o mundo vai virar uma grande bola de lítio.

Diego.

(Des)complicando um pouco

 

O que é desabotoar pra você? Segundo o dicionário Michaelis é “tirar da casa os botões” e/ou “abrir ou desapertar alguma coisa. Parece simples. Mas a Levi’s tentou fazer um pouco diferente, agregar valor tanto ao termo como à sua marca.

Com a assinatura “live unbuttoned” a grife tenta dar um significado mais holístico ao termo “unbutton” (desabotoar). Algo que remeta a quebra de padrões, o desabotoar das regras, viver intensamente. Até ai, muito legal né? Sim, muito legal mesmo. Mas calma.

Depois do momento do encantamento comecei a ter algumas dúvidas na campanha e, quem sabe, a questionar algumas coisas. Na plataforma on-line, a Levi’s sustenta a campanha através de um canal próprio no Youtube. Até ai muito legal, ainda. Segundo a descrição do canal a idéia de ser unbutton é transformar, questionar, fazer o próprio conteúdo”, mas o canal não é colaborativo. Estranho né? Faça o que eu falo, mas não faça o que eu faço. Além do mais, o um canal tem apenas 2 vídeozinhos.

Agora, pra discussão ficar legal mesmo é preciso assistir ao último vídeo do canal.

No vídeo em questão, um pseudo-apresentador pergunta a pessoas comuns como pronunciar corretamente a palavra “unbutton”. Obviamente as respostas são as mais esdrúxulas possíveis, numa fracassada tentativa de senso de humor ao estilo CQC.

Agora eu questiono, partindo do princípio que o apresentador, como representante da marca, acha complicado a pronuncia do termo para o povo brasileiro, por que usar a tal palavra então? Se fosse usada a versão traduzida, o poder elitista que a marca queria ressaltar seria perdido? Não sei, mas é possível.

Calma, mas essa discussão ainda não é a “cereja do bolo”. As melhores respostas começam quando as pessoas são perguntadas sobre o significado de unbotton para elas. “Dar uma trepada gostosa” é uma das respostas (3’15’’), algo no mínimo, questionável como percepção do conceito de marca.

A Levi’s podia dar uma descomplicada, quem sabe, unbutton.

Prieto .

Ok. Arte é arte.

 

Considerar publicidade uma faceta da arte é uma questão clássica. Apaixonados até defendem, mas a maioria abomina.

Sempre fui do segundo grupo, mas confesso que toda vez que bato de frente com filmes como esse da Pantene ou esse da Philips essa questão volta a me aporrinhar. Não que isso me faça mudar de idéia, pelo contrário, só me mostra o quanto nosso ramo costuma ser raso.


Não é possível que as oportunidades para o desenvolvimento de conteúdos como esses sejam tão raras. Embora complexos e densos, são incrivelmente impactantes e engrandecem a imagem da marca a beça.

Tudo bem que seria ingenuidade ignorar todos os empecilhos para uma comunicação desse tipo. Mas para mim, pouco budge, público inadequado e foco na objetividade, embora fundamentais, não são os reais motivos.

Acredito que falte um pouco mais de esperança nessa relação. Acreditar que as pessoas possam ter interesse em se envolver com a mensagem e gastar seu tempo apreciando isso, assim como fazem com a arte.

Publicidade não precisa ser artística sempre, mas um esforço para isso de vez enquanto pode vir bem a calhar.

Post do colaborador: Leandro Thot .

Trancaram o baú do pirata

(situação hipotética)

Imagine uma faca.

Agora imagine uma loja que vende facas, numa quinta-feira à tarde. E imagine que nessa quinta-feira, por volta de 16h27, um cara entre na loja e compre uma faca. Nem tão pequena nem tão grande, nem tão afiada nem tão cega, apenas uma faca. Vendida numa simples loja de artigos para casa.

Então o dono da loja de facas acessa um portal qualquer da internet na sexta-feira de manhã e vê a manchete “Senhora de 74 anos é assassinada na porta de casa com 5 facadas no peito – Dono da loja de facas será indiciado e pode ir para a cadeia”. Na quarta-feira da outra semana, após o julgamento, o dono da loja vai preso e tem que pagar uma indenização que custa muitas e muitas vezes o preço de sua pequena loja de artigos para casa.

A culpa da morte da senhora é mesmo do vendedor de facas?

De acordo com a justiça de Estocolmo (e provavelmente do resto do mundo), sim! Veja nessa reportagem aqui linkada o porquê!

 

Não quero atribuir culpa a ninguém, muito menos discutir a já tão batida e inútil discussão sobre a pirataria e adjacências, mas eu acho que punir o Pirate Bay está longe de ser uma coisa que vá solucionar qualquer problema.

Se for assim, que prendam emule, kazaa, limewire, rapidshare, easyshare, megaupload, soulseek, badongo… afinal, pra que P2P?

Texto, imagem, impacto e argumentação

Mesmo que sem querer isso, Eugênio Mohallem me fez entender algumas coisas semana passada.  Ao assistir sua palestra sobre redação publicitária, surgiu um slide que dizia mais ou menos isso: “Imagem é muito melhor para impactar, contudo, texto é muito melhor para argumentar”.

Em um primeiro momento, é complicado discordar disso. Agora, será mesmo? Será que a afirmação mais adequada não seria “Com imagens é muito mais fácil impactar, já com texto é muito mais fácil argumentar”?
E por que isso?
Ok, ser impactado por uma foto competente ou uma ilustração animal pode ser bacana, contudo, esperado. Agora ser impactado por um texto é bem diferente. E o outro lado pode ser ainda mais interessante. Argumentar com uma imagem não é simples, mas pode ser genial.
Não acho que Mohallem exclua essa minha visão do seu pensamento, prefiro acreditar que ele apenas quis simplificar a linguagem para nós universitários.
Talvez, dois exemplos disso abaixo. Talvez.
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Postado pelo coloborador: Leandro Thot

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